Salvador assenta sobre um complexo mosaico geológico que alterna depósitos arenosos da Formação Barreiras com afloramentos do embasamento cristalino, agravado pelo clima tropical úmido que acelera a formação de perfis de alteração espessos e heterogéneos. Com mais de 2,4 milhões de habitantes numa península de relevo acidentado, a cidade enfrenta desafios constantes na previsão da profundidade do topo rochoso e na deteção de matacões em matriz de solo residual, elementos que comprometem a execução de fundações profundas. A tomografia sísmica de refração/reflexão resolve essa incerteza ao gerar imagens contínuas do subsolo a partir da propagação de ondas compressionais e de corte, permitindo distinguir horizontes de saprolito, graus de fraturamento e a geometria real do maciço rochoso antes da mobilização do canteiro. Em zonas como a Avenida Paralela ou o Subúrbio Ferroviário, onde a ocupação avança sobre vales colmatados por sedimentos aluvionares, a sísmica de refração revela-se indispensável para orientar campanhas de sondagem e evitar surpresas durante a cravação de estacas. A densidade de ocupação urbana de Salvador, com ruas estreitas e taludes íngremes nos bairros históricos, também exige métodos geofísicos não invasivos que minimizem interferências na vizinhança. Para obras que exigem parâmetros dinâmicos do solo, o módulo de cisalhamento máximo obtido por ondas sísmicas complementa perfeitamente os dados de um ensaio CPT executado em perfil contínuo, e a correlação com índices de resistência à penetração de uma campanha de sondagens SPT permite calibrar os modelos de velocidade com a estratigrafia local.
A tomografia sísmica revela o que as sondagens pontuais não enxergam: a continuidade lateral do topo rochoso e a presença de blocos erráticos que podem inviabilizar uma fundação.



