Estudos técnicos que sustentam seu projeto.
SAIBA MAISAs escavações subterrâneas representam um conjunto de técnicas e conhecimentos voltados à abertura de cavidades no subsolo para implantação de infraestrutura, mineração ou contenção de encostas. Em Salvador, cidade marcada por um relevo acidentado com morros, vales e uma extensa faixa litorânea, essas intervenções são vitais para superar barreiras geográficas e viabilizar obras de mobilidade, saneamento e edificações em terrenos de alta declividade. A execução segura desses trabalhos exige um profundo entendimento do comportamento do maciço, evitando recalques excessivos, desmoronamentos e danos a estruturas vizinhas, especialmente em áreas densamente urbanizadas como o Centro Histórico e a orla atlântica.
Do ponto de vista geológico, Salvador está assentada predominantemente sobre rochas do embasamento cristalino, como gnaisses e granulitos, recobertas por mantos de alteração expressivos. Nas áreas mais baixas e próximas à Baía de Todos os Santos, ocorrem depósitos de solos moles, argilosos e saturados, que impõem desafios significativos à estabilidade de túneis e escavações profundas. A presença de um nível d'água elevado, comum nessas regiões, demanda sistemas de rebaixamento e contenção rigorosamente projetados. Já nas encostas, o perfil de solo residual jovem, frequentemente coluvionar, exige cuidados redobrados com a infiltração pluviométrica, fator crítico em uma capital tropical com chuvas intensas e concentradas.

A normativa brasileira aplicável é extensa e de observância obrigatória. A ABNT NBR 11682 trata da estabilidade de taludes e encostas, enquanto a NBR 9061 normaliza a segurança de escavações a céu aberto. Para túneis, a NBR 15638 estabelece diretrizes para projeto e execução, complementada por normas internacionais como as da ITA-AITES. Em Salvador, o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e as instruções da SUCOM (Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo) impõem a apresentação de laudos geotécnicos detalhados para licenciamento de escavações, especialmente em áreas de proteção ambiental ou com risco geológico identificado pela Defesa Civil municipal (CODESAL).
Os tipos de projetos que demandam essa categoria são variados e essenciais ao desenvolvimento urbano. Obras lineares de metrô e BRT, como as expansões em curso, dependem de análise geotécnica para túneis em solo mole para atravessar aluviões e aterros litorâneos com segurança. Edifícios com múltiplos subsolos em zonas adensadas como a Pituba ou o Comércio exigem projeto geotécnico de escavações profundas que contemple contenções ancoradas ou em estacas-prancha, minimizando o impacto no entorno. A implantação de redes de drenagem e galerias pluviais, cruciais em uma cidade com alagamentos recorrentes, recorre a métodos de cravação e escoramento meticulosamente planejados. Além disso, a estabilização de encostas ocupadas, um passivo social e ambiental, emprega técnicas de cortina atirantada e solo grampeado que se enquadram plenamente no escopo das escavações.
Os riscos incluem desmoronamentos de solo residual, recalques diferenciais em edificações vizinhas, ruptura de taludes por infiltração de chuvas intensas e afluxo súbito de água em túneis próximos ao lençol freático elevado de áreas litorâneas. A presença de matacões no perfil de alteração do embasamento cristalino também pode causar instabilidades localizadas durante a escavação.
A ABNT NBR 9061 define os requisitos de segurança para escavações a céu aberto, enquanto a NBR 11682 trata da estabilidade de taludes. Para túneis, aplica-se a NBR 15638. Em Salvador, o PDDU e as exigências da SUCOM complementam a normativa federal, demandando laudos geotécnicos e planos de monitoramento para aprovação de projetos.
O monitoramento é obrigatório em escavações profundas próximas a estruturas sensíveis, em túneis urbanos e sempre que houver risco de instabilidade de taludes ou encostas ocupadas. A Defesa Civil de Salvador (CODESAL) exige instrumentação em áreas mapeadas como de alto risco geológico, conforme o Plano Municipal de Redução de Riscos.
Nas áreas de embasamento cristalino, o método drill-and-blast é comum para rocha sã, mas exige cuidado com vibrações. Nos depósitos de solo mole litorâneo, recorre-se a tuneladoras com frente pressurizada (EPB) ou ao método NATM com contenções temporárias rígidas. A heterogeneidade do perfil de alteração local frequentemente demanda uma combinação adaptável de técnicas.