Estudos técnicos que sustentam seu projeto.
SAIBA MAISCompreender a geotecnia viária em Salvador é o primeiro passo para garantir que qualquer obra rodoviária — desde a duplicação de uma avenida até a implantação de um novo acesso a condomínio — não sofra com deformações precoces, trincas ou afundamentos. Esta categoria abrange todos os estudos e projetos que investigam o comportamento mecânico e hidráulico dos solos que irão suportar a estrutura do pavimento. Ao contrário de um olhar superficial, a análise geotécnica define parâmetros de resistência, deformabilidade e permeabilidade, permitindo projetar camadas de reforço, subleito e base com precisão, o que é indispensável em uma cidade com a complexidade geológica de Salvador.
A capital baiana apresenta uma geologia extremamente heterogênea. Encontramos desde os solos residuais maduros e jovens do embasamento cristalino, comuns na Cidade Baixa e em encostas, até extensos depósitos de areias marinhas e aluvionares nas planícies litorâneas, como na região da orla e no Subúrbio Ferroviário. Essa variabilidade faz com que um estudo CBR para projeto viário seja mandatório, pois um solo de alteração de granulito pode apresentar capacidade de suporte excelente, enquanto uma argila mole orgânica de manguezal exigirá soluções de remoção ou estabilização profunda. Ignorar essa diversidade resulta em projetos que falham de forma localizada e recorrente.

O arcabouço normativo brasileiro é extenso e rigoroso, guiando cada etapa de um projeto de pavimentação. As normas do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) são o pilar central, com destaque para as especificações de serviço e as normas de ensaio, como o próprio CBR (Índice de Suporte Califórnia), compactação e granulometria. A nível municipal, a Prefeitura de Salvador, através da SEINFRA, estabelece diretrizes complementares que devem ser rigorosamente seguidas para aprovação de projetos viários, garantindo que as soluções atendam às demandas específicas do tráfego urbano e das condições climáticas tropicais da cidade, com seus períodos de chuva intensa.
A aplicação da geotecnia viária se materializa em diferentes tipos de projetos. Um projeto de pavimento flexível é a solução clássica para a malha urbana, utilizando camadas granulares e revestimento asfáltico que trabalham em conjunto para distribuir as tensões até o subleito. Este tipo de projeto depende intrinsecamente dos parâmetros geotécnicos para dimensionar a espessura de cada camada, evitando o acúmulo de deformações permanentes. Além de projetos de pavimentação nova, a categoria é vital em obras de restauração, recapeamento e alargamento de pistas, onde é necessário avaliar a capacidade remanescente do pavimento existente e a compatibilidade com novos materiais.
Ela mitiga riscos de afundamentos, ondulações e trincas no asfalto causados pela heterogeneidade do solo local, que varia de areias litorâneas a argilas de manguezal. A investigação geotécnica correta prevê o comportamento do subleito sob tráfego intenso e chuvas tropicais, definindo a necessidade de reforço ou substituição do solo para garantir a durabilidade da via.
Os ensaios fundamentais incluem sondagens SPT para identificar o perfil do subsolo e o nível d'água, e ensaios de CBR in situ para avaliar a capacidade de suporte do subleito. Em solos finos, a coleta de amostras indeformadas para ensaios de adensamento e cisalhamento direto é crucial para prever recalques e rupturas, especialmente em áreas de depósitos aluvionares.
A pluviosidade elevada exige um projeto de drenagem profunda e superficial integrado ao estudo geotécnico. A presença de água reduz drasticamente a resistência do solo, causando bombeamento de finos e perda de suporte. O dimensionamento deve considerar o solo na sua condição crítica de saturação, com sistemas de drenagem eficientes para evitar a infiltração nas camadas do pavimento.
Sim, a SEINFRA (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas) estabelece diretrizes e especificações técnicas complementares às normas nacionais do DNIT. Esses documentos locais definem padrões para a apresentação de projetos, critérios de aceitação de materiais e métodos construtivos adaptados à realidade urbana e geológica do município, sendo obrigatórios para aprovação de obras públicas e privadas.